10/17/2023

Um Jardim florido de diversidades - Memória de Árvore

JARDIM 308 SUL

01 de julho



Me sinto nutrida, até agora. Encantada, extasiada, estimulada, inspirada. Passei nesta semana dois dias inteiros com 8 turmas de crianças de 4 a 6 anos, confesso que também terminei o dia bem cansada. Mas quando tem alegria e inspiração, não há cansaço que nos rebata. Minha criatividade pulsa, uma vontade de sair correndo, sentir o sol na cara. Crianças nos energizam e colorem as nossas almas.

As convidei para sentir sua respiração. “Quando estamos parados, estamos realmente parados? Algo se move na gente?”, entre muitas respostas, “Sim! O coração!” As convidei para perceber os próprios os corações e os corações uma das outras. Cada uma percebeu seu ritmo.

Nesta idade são crianças extremamente curiosas, ativas, brincalhonas, mas o mais incrível para mim, é que ainda acreditam na magia. Tudo pode. A imaginação não tem limites e a confiança no que tudo pode, tudo acontece.

Levei minha planta para apresentar a elas. Começam estranhando que minha amiga é uma planta, mas depois compram a ideia de tal maneira que querem até dar comida para ela e contam de suas amigas plantas. Perguntei se a planta também estava parada, ou se ela também tinha movimento... se respirava...será que ela tem um coração? O sim e o não entram juntos em coro em todas as respostas, porque tudo realmente pode.

O que a planta precisa para crescer? Quem dá o ar que a gente respira? E quem dá o ar a ela? Se precisamos um dos outros, quem é mais importante? Quando cuido de uma planta, estou cuidando de mim mesma, quando cuido de mim, estou cuidando de tudo em volta.

Plantar sementes com crianças é mais do que enfiar algo na terra, pois tudo reverbera. Levei sementes de girassol, elas manusearam, comeram, colaram e imaginaram... “Se comermos sementes vai nascer uma árvore dentro da gente?”

O que cabe dentro de uma semente? Uma gota, uma formiga, uma mexerica... Sim! Cabe tudo isso e uma grande árvore do tamanho de um prédio. Uau!!

“Vocês já viraram uma semente?” Toda semente tem tanta energia, e estas sementinhas que já são pequenos brotos conseguiam entrar em repousos de atenção, mas o tempo todo querem movimento, a imaginação as leva para muitos lugares ao mesmo tempo, os sentidos aflorados captam milhões de informações simultâneas. Toler isso é como dizer, não seja criança, não tenha 5 anos, aproveitar isso para o aprendizado é nosso desafio. 

Um convite súbito como comando, “Todo mundo agora virou semente!” E detalhe, virei junto com elas uma semente, em segundos, me encolhi com a cabeça para o chão, quando trago os olhos para sala, todas estão sementes, e colocam os olhinhos curiosos para fora como quem diz “O que será que vai acontecer agora?”

Vocês gostam de música? Vocês gostam de histórias? Então agora vamos viver a história de uma sementinha. Trilha sonora encantada, começo a narrativa, improvisando com elas, a semente que dormia em uma terra fofinha e gostosa sente uma gotinha, acha uma delícia, mas fica com frio e procura o sol, para isso tem que ser forte, perfurar a terra, encontrar o céu. Como é forte uma sementinha!

“Que lindo é o céu azul, o sol, quero crescer mais!”. A plantinha vai crescendo, sente a chuvinha, a brisa, mas vem uma tempestade, a plantinha balança, balança, mas não cai, porque ela tem raízes fortes. 

Alguns viraram árvores gigantes, muitos viraram flores. E é lindo de ver meninos escolhendo ser flores, meninas sendo grandes árvores. Todos e todas podem ser o que quiserem, não há limites nem preconceitos. E entre tempestades e ventanias, uma folha se escapa ao vento, sai voando e rodopiando, ali havia sementinhas que caem de novo no chão. Elas viram sementes novamente e por um instante toda sala repousa.

As sementes renascem, crescem, assim vamos formando uma floresta. Com elas os bichinhos em volta. Passarinhos e abelhinhas beijam as flores e espelham mais sementes, e cada turma trouxe uma bicharada. Gaviões, borboletas, macacos, gatos, cachorros, sapos, meninos  borboletas, cobras, meninas onças, borboletas.

Mas vai anoitecendo e todos os bichinhos vão dormir. Novamente viram ovinhos, sementinhas... e voltam para terra, Terra. A confiança de que ali estamos seguros, no colo da mãe Terra.

Me emociono de lembrar as carinhas, a alegria, a curiosidade, a fantasia, a crença. Quando perguntei se podiam sentir embaixo dos pés suas raízes, alguns fecharam os olhos e se concentraram de verdade. Eles estavam realmente sentindo suas raízes. A grandissíssima maioria de nós, cresce sem percebê-las, sem perceber suas próprias raízes. 

Nossas raízes nos trazem profundidade, base, conexão com a terra. Com a Terra. Fundamental para nossa relação de pertencimento. Somos parte de todo o planeta, somos a natureza. Naturalmente somos um grande organismo, respeitando a natureza de cada um, que cada um possa viver sua essência, onças, árvores, flores ou borboletas.

Se expressaram em belos desenhos. Alguns desenhos traziam histórias. O ciclo da semente ficou muito presente.  Algumas sementes de girassol entraram na terra dos desenhos ou voando ao vento. O momento da sala, o tatame azul, eu e minha plantinha também aparecemos. “Tia, posso desenhar o animal que eu fui?” E lá estava a garotinha como onça em seu desenho, desenhando a sua história.

Dessa semente plantada, que frutos poderão nascer? Tudo que plantamos na primeira infância nasce, reverbera, para o resto de nossas vidas. Ainda que muita coisa se apague de nossas lembranças, as memórias estão registradas em nossos corpos e fazem parte do que somos.

Nossas células carregam memórias. Ainda que não lembremos, elas estão ali. E tomamos atitudes no mundo não só com base no que aparece em nossas mentes, mas do que está registrado em nossos corpos. A sementinha estará sempre ali, com você. Ela, a árvore que um dia você encontrou. Um encontro de verdade faz a diferença.

Os encontros de verdade requerem presença. A criança, em especial da primeira infância, está sempre presente. O nosso desafio como educadoras, mães, pais, é manter a presença com elas. 

Reconhecer suas próprias raízes e conexão com a mãe Terra, também reverbera em reconhecer nossa ancestralidade, e as raízes de nossa árvore genealógica pode nos levar á profundas conexões de povos, raças, espaços tempos, qual o tamanho de nossas raízes?

Independente do tamanho, nada alcançamos sem reconhecermos o que nos liga a toda ela, e o respeito e conexão com nossas mães e pais, são fundamentais. Esta relação é muito estreita, o valor a quem nos dá a vida, o valor ao planeta, pertencimento, ser parte dê. Acolhimento, confiança, entrega.

Não conversei sobre ancestralidade com elas, mas as convidei a experienciar suas raízes, e como disse antes, a memória do corpo são sementes que estão ali e que um dia podem brotar e de cada um nascer o que eu for regado, flores, árvores, ervas medicinais, cactos, tudo sem o seu lugar.


8/20/2018

CEEDV-Centro de Ensino Especial de Deficiente Visuais


CEEDV- Centro de Ensino especial de deficientes visuais 

Nessa etapa da circulação Amana com o fomento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal estivemos no CEEDV - Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais com 3 apresentações do Amana para bebês, com deficiência visual, seus acompanhantes, educadores e direção do Centro. Desde 2016 Katiane Negrão nutria o desejo de estar presente no CEEDV com alguma ação artística e foi desse desejo que ela trouxe a idéia ao grupo que na mesma hora, acolheu. Para que essa ação tivesse sucesso seria necessário um primeiro rapport com a direção do CEEDV. Katiane tomou a frente esse contato e aos poucos fomos desenvolvendo uma relação entre grupo e equipe CEEDV. O processo todo foi cuidadoso e bonito.  Final de abril conseguimos um encontro com a Diretora do centro para afinarmos nossa ação. Ela estava aberta mas ao mesmo tempo um pouco reticente com nossa ida por não conhecer o trabalho e ser um espaço que exige muita delicadeza. A produtora Janaina Mello e a Psicóloga Susana Prado explicaram como seria feita a ação e que todo processo seria pautado no respeito com afeto e escuta.
Assim, nos organizamos enquanto grupo para fazermos visitas ao Centro e criarmos um vínculo maior com a equipe, além de nos prepararmos emocionalmente para receber os bebês e seus acompanhantes nos dias das apresentações.  
As visitas foram muito importantes para estreitarmos o vínculo com o espaço e refletirmos sobre o espetáculo. O diretor de Amana, José Regino esteve presente ao longo de todo o processo com o CEEDV e sua presença foi fundamental. Com seu refinado olhar  e  muita sensibilidade conduziu nossos ensaios com foco no toque, movimento e presença, incrementando a potência do Amana que é um espetáculo sensível pautado na música, nos gestos, sons e movimentos para criarem vínculo com os bebês.
O resultado não poderia ter sido melhor! 
As apresentações foram emocionantes! Os bebês interagiram além de todas as expectativas, os acompanhantes e educadores do CEEDV se emocionaram, nós nos emocionamos. Tivemos um retorno muito positivo e saímos de lá com a certeza da potência do espetáculo Amana- dança para todos os bebês. No momento da Baby Jam, os bebês interagiram muito e estavam super receptivos ao toque além de se aventurarem na exploração do espaço e novos movimentos. 
Gratidão a toda equipe CEEDV! Esperamos voltar!

PIrenópolis


Seguindo a circulação Amana com o fomento do fundo de apoio a cultura do Distrito Federal chegamos em Pirenópolis, Goiás, no dia 2 de maio, para nos apresentarmos em 2 creches e no Ponto de Cultura COEPI- Comunidade Educacional de Pirenópolis. Lá, fomos acolhidas pela produtora, educadora, artista, musicista, cantora, Isabella Rovo.
No dia 3 Amana esteve no Centro Municipal de Educação Infantil, no dia 4 de maio na Escola-creche Aldeia da Paz, onde além de apresentarmos Amana oferecemos um workshop para educadoras da região de Pirenópolis. No sábado, dia 5, estivemos com Amana na COEPI. Em todos os lugares fomos muito bem acolhidas e tivemos um retorno muito positivo tanto das crianças quanto das educadoras. Na Aldeia da Paz, a creche- escola funciona sob a direção de Irmãs Missionárias e algumas delas estiveram presentes também no workshop. Foi uma troca muito significativa para o grupo! Além das Irmãs, estavam presentes muitas outras educadoras que foram de ônibus para o workshop. Vimos que há a possibilidade de aumentarmos nosso tempo de oficina já que a demanda para uma “PAUSA” é grande no ambiente educacional. Todas as educadoras mencionam o quanto essa oficina é necessária para se perceberem e se sentirem. Pausa com respiração consciente e corpo em movimento tranquilizam a mente e ajudam na integração corpo/mente e traz mais presença para as educadoras. Toda essa transformação é fundamental para quem trabalha com crianças, pois se eu me escuto, escuto melhor o outro, assim como, se eu me percebo, percebo melhor o outro.
Segue link da COEPI sobre nossa passagem por lá,

8/14/2018

Baby Jam no Galpão Instrumento de Ver



Um dos objetivos da Baby Jam é ampliar as percepções dos pais para que possam refletir sobre outras formas de observar, escutar e cuidar. 
O afeto está relacionado ao toque, sentimentos e emoções. Tocar o outro com presença e estar verdadeiramente com o outro pode ser revelador para uma troca saudável entre duas pessoas e, sobretudo na relação entre adulto e bebê, já que os bebês se expressam e sentem com cada micro poro do seu corpo. Ao tocar o outro somos testemunhas da comunicação que acontece entre os corpos, do tocar e ser tocado, utilizando nossa inteligência corporal.
“As sensações no corpo são o grande veículo para percebemos: nós mesmos; os outros (seu estado, seus sentimentos, suas sensações); lugares e climas.” (Friedmann, 2013, p.135)
Dos princípios da educação somática e do contato–improvisação a Baby Jam irá explorar o movimento a partir da observação, da escuta e do toque. Brincar com a gravidade e as infinitas possibilidades de apoio proporcionam um momento de brincadeira e troca entre o bebê e seu acompanhante. A Baby jam é uma experiência de afeto para libertar o movimento espontâneo e ampliar os canais de comunicação entre adultos e bebês.
A receptividade do Coletivo Instrumento de Ver em seu novo espaço foi fundamental para explorarmos esses encontros entre pais. mães e bebês. Um novo espaço cultural cheio de afeto e potente na produção arte e cultura de qualidade promoveu um grande encontro!
Maiores detalhes da manhã de domingo dia 29 de abril está no link 


Lembrando que esse projeto só se faz possível com o Fomento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.


Amana na Creche Pioneira da Vila Planato



Também dentro do nosso projeto de circulação com o fomento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, estivemos, dia 27 de abril de 2018,  na Creche Pioneira da Vila Planalto. Optamos, durante a circulação por retornar a essa creche que tivemos a oportunidade de estar em 2016 e fomos muito bem recebidas. O retorno é sempre uma possibilidade de darmos continuidade na nossa atividade formativa que é a oficina. Quando retornamos a uma creche podemos aprofundar um pouco mais com as educadoras que já participaram anteriormente do projeto, além de dar a oportunidade para as educadoras que não puderam estar em nossa primeira visita agora participarem da oficina. 
O espetáculo foi muito bem recebido pelas crianças, funcionários, professoras e coordenação. O espetáculo Amana torna possível a comunicação com as crianças pelo movimento. Por meio do movimento e da música acessamos o universo do sensível que é tão potente e revelador nas crianças da primeira infância. 



O retorno à Creche Cantinho do Girassol em Ceilândia


Ainda como parte da Circulação Amana~dança para bebês promovida com o Fomento do Fundo de Apoio a Cultura do Distrito Federal, no dia 25 de abril estivemos na creche Cantinho do Girassol em Ceilândia. Já havíamos nos aposentado lá em 2016 e ter a oportunidade de voltar em uma creche é sempre muito especial. As educadoras foram muito receptivas a nossa volta pois além de fazermos 2 apresentações do Amana na creche para cerca de 130 crianças, oferecemos uma oficina de movimento para professoras, assistentes e coordenação. A oficina Pausa é um convite a educadores e educadoras a uma PAUSA, um olhar para si mesmo. A proposta é o auto cuidado e a auto-escuta. Ao olhar para si mesmo o ser humano desenvolve maiores condições de olhar e ouvir o outro. Abrem-se os canais da comunicação do mundo sensível. 
As educadoras se entregam a elas mesmas, cedem o corpo ao chão, ativam os sentidos com mais consciência e ao final estão profundamente relaxadas o que as leva a perceber a importância de um tempo ao longo do dia dedicado à autopercepção por meio do movimento e da respiração. O trabalho com as crianças pequenas exige muito fisicamente e psicologicamente sendo muito relevante uma oficina como essa. 
Ao chegarmos na Creche pela manhã para montagem, todos os funcionários nos acolheram com muito afeto! Nos receberam com um rico desejum e preparam um espaço bem amplo, arejado e limpo para a apresentação do Amana. Tivemos um retorno muito positivo de nossa volta ao Cantinho do Girassol e esperamos voltar ainda mais vezes! Gratidão!


A riqueza dos espaços culturais independentes


No dia 28 de abril AMANA - dança para bebês, com o fomento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal,  esteve no Gama, no espaço cultural independente Lábios da Lua, com duas apresentações, uma pela manhã e outra pela tarde.
Sempre que possível optamos por apresentar em um teatro independente, é uma possibilidade interessante de incentivar grupos que resistem com sua arte e promovem cultura na comunidade em que estão inseridos. Além disso, é sempre muito rico trocarmos idéias com outros artistas e conhecemos sua história. No Lábios da Lua fizemos uma roda de conversa entre grupos, onde cada grupo pode expor seu histórico e suas criações. Foi um grande prazer estarmos nesse espaço que nos acolheu tão bem, além de contarem com ótima estrutura para apresentações, oficinas, e exposições. Gratidão ao Lábios da Lua!

8/13/2018

Amana no Teatro Newton Rossi SESC Ceilândia


No dia 18 de março o espetáculo AMANA - dança para bebês, com o fomento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal,  esteve no SESC Ceilândia. Foram duas apresentações, manhã e tarde. 

Iniciando a Circulação FAC/DF - Encontro Internacional de Práticas Somáticas


2018 tem sido um ano muito especial para o Grupo Psoas. O espetáculo AMANA - dança para bebês  foi contemplado pelo edital FAC/2016 para fazer uma circulação por DF/GO/SP. 
Iniciamos a circulação no I Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança que aconteceu este ano no Instituto Federal de Brasília entre os dias 13 e 17 de março.
O espetáculo Amana foi convidado para apresentar no Encontro e a apresentação ocorreu no fechamento do encontro, dia 17 de março no Espaço Cena. 
Ainda dentro da programação do encontro, eu, Susana Prado e Katiane Negrão nos apresentamos na mesa de compartilhamento de pesquisas, Eixo I: A somática entre o Ensino e a Pesquisa em múltiplas configurações espaço-temporais, com o trabalho “O Body-Mind Centering® como potência criativa do espetáculo Amana-dança para bebês.” 
O grupo teve, também, a oportunidade de trocar com vários artistas e pesquisadores que se nutrem das abordagens somáticas para aprofundarem suas pesquisas em dança. Além disso teve a oportunidade de participar das imersões somáticas com vários profissionais. Cada uma de nós participou de diferentes imersões, abaixo seguem os links para maiores informações:








11/24/2016

Figurino, objetos de cena e brinquedos sensoriais



Por Julieta Zarza



O processo de criação do figurino do Amana começou norteado principalmente pelo conforto. Queríamos uma roupa que parecesse roupa, mais do que figurino, queríamos que fosse fácil de cuidar (na prática nem foi tanto, pois precisa ser passado á cada apresentação), confortável para dançar, para estar nas creches. Ponderamos também a individualidade, o que cada uma queria e gostava de vestir.
Desejávamos inspirar as mamães a usarem roupas confortáveis para poder brincar e ter o corpo mais disponível para “ estar“ com seus bebês. De alguma maneira queríamos transmitir que estar confortável não é necessariamente estar largada com roupa cinza de malhar, pode ser bem estiloso e nos ajudar no bem estar.
Os elementos da natureza presentes na nossa dramaturgia, nos levaram a uma paleta de cores que traziam água, terra, pele e sangue. Preferimos  para tudo materiais orgânicos, “nobres” .
O nosso material principal  foi o nosso corpo e o figurino foi se tornando um objeto de cena. Experimentando muitas peças de roupas, encontramos desde o primeiro momento um casaco que virava coisas, que virou nossa peça chave. Agradou muito ao nosso diretor, eu também gostava muito da ideia de transformação em cena.
Sabendo que o espetáculo iria para as creches, sabíamos que deveríamos lidar com coisas simples; que pudéssemos carregar e montar sozinhas; que não teríamos cenário, luzes e nem coxias  para sair e trocar de roupa, então o desafio era como  gerar mudanças na composição visual.
Estes casacos de tons neutros e forro em tons de azul, deu o elemento lúdico e cromático que procurávamos. Conseguimos começar com uma paleta mais neutra, que aos poucos vai revelando cor e finalmente ,quando retirado, revela o figurino com a paleta final.
Não foi fácil, tivemos que tomar decisões muito rápidas e lidar com os poucos materiais que encontramos no Plano e em Taguatinga. Não achei o tom de rosa que tínhamos escolhido e sim um rosinha “ baby Class” como Katiane o chamou... e isto derivou numa discussão enorme. Quando o figurino ficou pronto o coitado do rosinha foi muito rejeitado, mas finalmente aceitamos ele e estamos todas felizes com o resultado final.
Materiais Nobres
Todos os instrumentos e objetos de cena são de materiais nobres, o Método Montessori  (leia mais no https://larmontessori.com/) sustenta que devíamos evitar plástico, pois os bebês precisam conhecer o mundo e os elementos da natureza,  por isso é importante colocá-los em contato com vidro, madeira, metal, papel, tecido pedra. A maioria dos brinquedos  industrializados são de plástico, mudam de cor, tamanho e forma, mas é sempre a mesma textura. Eu sou apaixonada pelo método Montessori desde que minha filha nasceu, então isto tem norteado muito minhas escolhas na hora de desenvolver material para os bebês. Nestas questões o diálogo com Susana, como orientadora pedagógica, foi fundamental.
Temos água em moringa de cerâmica, tambor de couro e madeira, violão, calimba ... mas não teve jeito, alguns elementos fugiram desta escolha, como a escaleta e o piso de EVA, pois sendo itinerantes precisávamos de um piso itinerante onde dançar e que fosse limpo, quentinho e fofo onde os bebês pudessem dançar conosco.
O EVA nos dificulta muito os movimentos na parte do contato improvisação pois ele não desliza, mas é realmente muito prático para nosso deslocamento, embora seja extremamente sintético…

Brinquedos sensoriais,
Quando eu já achava que o trabalho tinha acabado tivemos a ideia de incluir brinquedos sensoriais e uns tapetes sensoriais para o momento da recepção dos bebês e seus acompanhantes. Isto foi extremamente estimulante, porque gosto demais de colocar mão na massa na construção artesanal.
Receptivo sensível e sensorial.
Para sair de casa com bebês precisa- se de coragem e muita energia, quando vamos a um teatro convencional, mesmo sendo para crianças, precisamos encarar filas, esperas e é difícil cuidar do bebê, amamentar, trocar fraldinha etc.
Por isso é que nosso desafio maior é conseguir atender estas necessidades de conforto em espaços onde ainda não relevam estas condições.
Nosso receptivo então pretende sempre caprichar nesses quesitos. Que os bebês cheguem em um lugar onde possam sentar, deitar e engatinhar com segurança, que as mamães possam amamentar tranquilas, que tenham água e alguma comidinha para qualquer emergência.
Sensibilizar,
pedimos aos acompanhantes para tirar o sapatinho dos bebês e de si próprios.
Criamos tapetes cheios de texturas como feltro, palha , lã , tecido, madeira, couro, sementes, por onde os bebês engatinham, sentam rolam ou deitam à vontade ...
também oferecemos cestinhas com alguns brinquedos que seguem estas premisas,
bolas de feltro, envelopinhos de feltro com sementes sonoras, diferentes sementes sonoras pintadas, argolas de madeira, e as colheres de pau.
Desta forma os bebês aguardam sem estresse, socializam entre eles e com a gente do elenco e se sensibilizam para assistir o espetáculo e os pais também.







Fotos Debora Amorin e Celular da Julieta